terça-feira, 22 de maio de 2012

Élan

Uma vez a escola estava pensando em fazer uma intervenção flamenca. Estava tendo um evento de dança que se dizia universal, mas como não tinha flamenco o plano era aparecer lá pra mostrar, mesmo sem sermos convidados. Minha sugestão de aparecermos como pessoas comuns não teve boa acolhida. Acharam que se era pra mostrar o flamenco, que fosse com todos os seus poás, flores e saias longas. O que havia por detrás da minha sugestão é o fascínio que sinto por pessoas dançando com roupas comuns. Isso evidencia mais ainda a qualidade dos movimentos, de uma maneira que é difícil explicar mas muito fácil de entender. Se vemos uma mulher de tutu, ou com a barriguinha de fora cheia de véus, ou de coque e peineta, já sabemos o que esperar, a roupa informa o que assistiremos. Quando alguém está vestido como todo mundo, de jeans e camiseta, é unicamente a sua movimentação nos transmite algo.

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Vi um documentário uma vez, que falava de um violinista virtuose cujo nome não lembro. Contaram a história de uma visita que ele havia feito a uma escola, conhecer e estimular os pequenos futuros violinistas. Os alunos não chegavam à adolescência. Como é de praxe, num determinado momento quiseram aproveitar a visita e pediram que o Virtuose para tocasse um pouco. Ele estava sem seu famoso Stradivarius; sem se fazer de rogado, ele pegou emprestado o violino de uma das crianças e começou a tocar. O professor contou que foi fascinante: "O violino era um violino barato, evidente  que não soava como um Stradivarius. Ao mesmo tempo, por detrás de um violino ruim, ainda era claro que estavam ouvindo o Virtuose, com todas as suas qualidades e expressividade". O menino, ao receber seu violino de volta, estava pasmo em perceber que sonoridade magnífica o instrumento potencialmente possuía, mas que ele jamais havia conseguido tirar.