segunda-feira, 26 de março de 2012

Auto-ajuda e timidez

Eu li muito livro de auto-ajuda na vida e acho que eles têm sua utilidade. O que eu gosto nesses livros é a idéia que está por detrás deles: a gente não É e sim que Está. Ao invés da postura Gabriela diante de vida - eu nasci assim, sempre fui assim, vou morrer assim, Gabrie-eela! - parte-se do pressuposto que se uma coisa que te incomoda, você pode tentar mudanças de hábitos e comportamentos até se tornar uma pessoa diferente. Pra algumas coisas pode ajudar, eu usei. O pressuposto da Programação Neurolinguística de que o inconsciente aceita qualquer coisa que a gente repita muito, mesmo que seja meio brincando, é algo que eu percebi que funciona. Passar o dia inteiro repetindo "eu tô gorda" só porque não gosta de algumas gordurinhas na barriga faz um mal tremendo...

Há algo muito forte em mim, que provavelmente tentei mudar, mas que terapia ou programação nenhuma consegue mover: minha timidez. Na adolescência, aquela fase que a gente se odeia, eu (provavelmente) lamentei pensar que nunca seria popular, nunca seria o centro das atenções nas rodinhas, nunca chegaria longe em funções que exigem que a pessoa fale com a maior naturalidade diante de qualquer platéia. Hoje não apenas não desejo essas coisas como sei que gosto muito de ser quem eu sou, e que ser extrovertido é uma faca de dois gumes. Chegar num grupo estranho cheio de segurança pode ser ótimo, assim como pode estragar tudo. A linha entre ser extrovertido e sem noção é muito tênue. Cansei de ver gente que chega num grupo novo e senta no melhor lugar, se mete a dar opiniões sobre o que está ouvindo pela primeira vez e já sai falando em nome da turma. Depois, quando nada dá certo, reclamam que as pessoas que sempre foram hostis com ela. Eu, como qualquer pessoa tímida, tenho necessidade de sentir o ambiente. Nunca me torno logo aquela que todo mundo gosta; em compensação, por observar antes de falar, não falo besteira, por ficar no meu canto não invado o espaço dos outros sem querer. Sempre dá certo. A extroversão é hiper-valorizada, isso sim.