sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Picolé de amendoim

No ano passado abriram dois lugares aqui que vendem picolés deliciosos: um fica bem no centro, e se chama Delícias do Serrado, na Barão do Rio Branco. Lá os picolés são mais naturais e têm sabores de frutas incomuns. O outro é a famosa Paleteria, atrás do Estação, que vende uns picolés mexicanos bem parrudos. Quando vou lá e vejo aquela decoração cheia de Fridas e caveiras, sempre penso na Flávia e que será obrigatório levá-la quando ela vier pra Curitiba. Gosto tanto de um lugar quanto de outro, mas nos dois eu provei os picolés de amendoim e eles ficaram aquém das minhas expectativas. O problema é que eu busco um sabor muito específico no picolé de amendoim, algo que remete ao melhor picolé de amendoim que existe no mundo: o picolé de amendoim Capelinha.

Quem já foi numa praia de Salvador sabe do que estou falando. Você está na praia e passa um rapaz andando de chinelo de dedo debaixo do sol e naquelas areias escaldantes. Ele veste apenas uma bermuda e quando muito uma camiseta velha. Apoiado sobre um ombro só, um isopor. O picolé é baratíssimo, menos da metade de um picolé de marca, dava pra pagar com algumas moedas. Nos sabores umbu, mangada, siriguela e outras frutas típicas. Não tem logomarca e nenhum papel os protege. Com aquele preço e aquela estrutura, é claro que as condições de higiene e produção do picolé não devem ser das melhores. Foi por isso que na última vez que fui a casa do meu pai, e ele chamou o Capelinha para dar picolé pra todo mundo, o Luiz educadamente recusou. Eu disse - Dêem um de amendoim para ele. Ele continuou recusando, até que por insistência deu uma mordida educada no picolé que tinha em mãos. Resultado: o Luiz não quis provar mais nada, sempre que aparecia um Capelinha - e meu pai tinha acordo com um que vinha até em casa -, ele só queria picolé de amendoim. Esse picolé tem pedacinhos de amendoim por ele inteiro, e é doce na medida certa. Não é à toa que é o primeiro sabor que acaba.

Será que ainda existe o Picolé Capelinha? Procuro outros e nada chega perto. Posso conviver bem com a idéia de nunca mais comer um acarajé da Cira (o melhor da cidade), mas jamais sem aquele picolé de amendoim.