No ano passado abriram dois lugares aqui que vendem picolés
deliciosos: um fica bem no centro, e se chama Delícias do Serrado, na
Barão do Rio Branco. Lá os picolés são mais naturais e têm sabores de
frutas incomuns. O outro é a famosa Paleteria, atrás do Estação, que
vende uns picolés mexicanos bem parrudos. Quando vou lá e vejo aquela
decoração cheia de Fridas e caveiras, sempre penso na Flávia e que
será obrigatório levá-la quando ela vier pra Curitiba. Gosto tanto de um
lugar quanto de outro, mas nos dois eu provei os picolés de amendoim e
eles ficaram aquém das minhas expectativas. O problema é que eu busco um
sabor muito específico no picolé de amendoim, algo que remete ao melhor
picolé de amendoim que existe no mundo: o picolé de amendoim Capelinha.
Quem
já foi numa praia de Salvador sabe do que estou falando. Você está na
praia e passa um rapaz andando de chinelo de dedo debaixo do sol e
naquelas areias escaldantes. Ele veste apenas uma bermuda e quando muito
uma camiseta velha. Apoiado sobre um ombro só, um isopor. O picolé é
baratíssimo, menos da metade de um picolé de marca, dava pra pagar com
algumas moedas. Nos sabores umbu, mangada, siriguela e outras frutas
típicas. Não tem logomarca e nenhum papel os protege. Com aquele preço e
aquela estrutura, é claro que as condições de higiene e produção do
picolé não devem ser das melhores. Foi por isso que na última vez que
fui a casa do meu pai, e ele chamou o Capelinha para dar picolé pra todo
mundo, o Luiz educadamente recusou. Eu disse - Dêem um de amendoim para
ele. Ele continuou recusando, até que por insistência deu uma mordida
educada no picolé que tinha em mãos. Resultado: o Luiz não quis provar
mais nada, sempre que aparecia um Capelinha - e meu pai tinha acordo com
um que vinha até em casa -, ele só queria picolé de amendoim. Esse picolé
tem pedacinhos de amendoim por ele inteiro, e é doce na medida certa.
Não é à toa que é o primeiro sabor que acaba.
Será que
ainda existe o Picolé Capelinha? Procuro outros e nada chega perto.
Posso conviver bem com a idéia de nunca mais comer um acarajé da Cira (o
melhor da cidade), mas jamais sem aquele picolé de amendoim.