terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Perfeição no ônibus

Eu estava de pé no Ligeirinho, que não estava cheio. Fiquei perto da porta da frente, olhando a paisagem e pensando na vida. Quando o ônibus parou num ponto, ouvi o barulho do choro de uma criança e olhei para lá instintivamente. Foi aí que eu reparei - acho que todos reparamos - numa mãe com um carrinho de bebê. Ela estava com um jeans colado, salto e blusinha. Ela chamava atenção por estar muito gostosa. Mas não era um gostosa qualquer, era um gostosa de revista, um gostosa de plástica. Peitão, cinturinha e bundão. Como explicar? Ela parecia uma heroína de HQ adulto, não parecia de verdade. Olhei para as outras pessoas no ônibus e mesmo as jovens, mesmo as magras, mesmo as bundudas ou peitudas, mesmo as lindas não eram como ela. O corpo dela estava tão "perfeito" que não se parecia com nenhum outro corpo ali - ela pertencia à uma espécie diferente, daquelas mulheres que saem em capa de revista. Um lado meu achou lindo, e pensou no prazer de vestir qualquer roupa com a certeza de ficar ótima. Já o outro lado a achou bizarra e ficou com medo de no futuro sermos todas obrigadas a ficar assim.