Eu falo muito em ir embora de Curitiba. Sempre tive mais amigos fora, nem ao menos o meu blog faz tanto sucesso aqui como em outras capitais. Quando digo para o Luiz aceitar uma das muitas oportunidades de morar fora, ele me lembra sensatamente que moramos numa casa legal, num bairro legal, que tudo está legal. Morar em outra cidade pode ser bom... e também pode não ser. Na incapacidade de resolver essa equação e sendo que a nossa vida não está tão ruim assim, vamos ficando.
Uma vez eu concluí que a vida nada mais era do que uma evitação do sofrimento. Se mudar, tudo pode ficar um pouco pior, então ficamos. Se alguém nos pede um conselho, também temos dificuldade de recomendar a mudança. "Se eu me separar do traste, será que consigo um marido melhor, caso de novo e sou bem feliz?" Pode ser... Então a mulher só larga o traste quando se conforma que morrer seca é melhor do que continuar lá. Vejo que é muito mais o medo do que pode acontecer em casos de doença ou morte que mantém muitas famílias unidas. Até eu penso no que será de mim quando for velha, sem filhos que se preocupem com meu bem estar. O emprego é ruim mas pelo menos paga as contas. Os amigos são ruins mas pelo menos é companhia. Não gosto da cidade mas já estou acostumada.
A equação do medo é difícil de ser solucionada. Ele fica de mãos dadas com a sensatez, mas ser sensato a vida inteira é quase como não viver. Eu desisti da idéia dele ir embora. Quando quero fazer algo novo, pego na mão do Medo e vamos juntinhos.
