quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Pra casar

Eu achava que não me casaria. Tinha uma idéia tão ruim de casamento e estava tão convencida de que isso não aconteceria, que nunca idealizei vestidos de noiva, música e flores para uma entrada na igreja (que não fiz). De mesmo modo, demorei pra entender os olhares de inveja que as mulheres me lançavam ao saber que eu sou casada. Você pode estar na pior, inferior em todos os sentidos àquela que está na sua frente - mas se você for casada e ela não, pode ser que pra ela você é que é um sucesso. Porque alguém te ama, te escolheu pra vida inteira - isso já é quase tudo o que as mulheres querem. Pelo menos antes de chegarem lá.

Aí eu conheci o Luiz e num instante mudei de idéia. Mulheres às vezes me perguntam como eu sabia que era Ele, que aquele era o momento de mudar de idéia. Relacionamentos são encaixes muito complicados; fica ainda mais complicado quando se faz força pra colocar dentro de um molde, de uma ilusão. Não consigo encontrar definição melhor para o que me fez casar do que dizer: quando eu falava A, o Luiz sempre entendeu A. Ele não entendia B ou C. Ou ele não entendia A e fingia que era B, porque se ele reconhecesse que era A podia ser que um monte de coisas. E vice-versa. Não que sejamos pessoas tão claras e especiais, e sim porque encaixamos, reagimos instintivamente da melhor maneira possível. Ficamos em silêncio quando o outro precisa de silêncio, falamos na hora de falar. Pra ser sincera, eu acho que quando o casal precisa colocar os pingos nos iis, discutir relação, entrar em acordos, é porque já começou mal. Gosto de relações tranquilas - esse é o encaixe que combina comigo, o que eu acredito. Alguns preferem o encaixe: eu grito e ele se encolhe, eu bato e ela me obedece, um finge que não vê e o outro corresponde. Mas isso já é outra história.