segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Desresoluções de ano novo

Sempre que eu fiz resoluções de ano novo, elas invariavelmente davam errado. Coisas que pareciam óbvias ou que estavam às portas de acontecer não aconteciam. Ao invés de servir de estímulo, essas listas ficavam desatualizadas quando relidas, com sonhos que não me pertenciam mais. Ou viraram um atestado de incompetência. Por isso, desenvolvi uma relação supersticiosa com elas, de achar que fazer resoluções pro ano novo dá azar. Se quero que algo aconteça, que não apareça em listas. Então, esta é uma lista de desresoluções. Que não aconteça nada disso em 2012:

* Em 2012 farei minha primeira tatuagem. Mas não pararei na primeira. Marcarei no meu corpo a minha paixão pelo flamenco, o nome do meu marido, cobrirei meu braço de flores e penso em algumas carpas também, porque são lindas e remetem ao meu sangue oriental.

* Minha casa passará a ser um lugar de portas abertas para os amigos. Quando digo amigos, quero dizer os novos, os antigos e os muito antigos - pessoas com quem cortei relações, amigos de infância, ex-colegas. Quero ter a casa sempre cheia de gente, receber muito, dar jantares. Que quem estiver passando por aqui se sinta livre pra me visitar, à qualquer hora.

*Dedicarei mais tempo à minha família. Com a minha mãe, passarei a ter uma relação próxima, onde ela ficará a par de todos os meus projetos e segredos. Passarei a ouvir seus conselhos, de fazer Direito a ter filhos. Voltarei a visitar minha família de Salvador, terei uma relação afetuosa com a minha madrasta. Almoçarei com os meus sogros e minha cunhada mesmo sem datas especiais.

*Farei network. Chega de ser amiga ou de ser lida por pessoas importantes e não ter nenhuma vantagem com isso. Este ano me proponho a aproveitar meus contatos - aprofundar amizade com pessoas que decidem as coisas, e com os que já tenho proximidade, deixar claro que um apoio seria de bom grado. Darei mais atenção aos bons dias, cartões e todas as outras convenções.

* Farei uma dieta radical pra usar manequim 36. Cansei de ser mulher-fruta, de viver comprando 40 porque tenho ombros largos e sou quadrilzuda. Cortarei todos os prazeres à mesa em nome do prazer de vestir PP. Quero ter o mesmo corpinho que tinha aos dezesseis (se bem que aos dezesseis também não usava 36), quero ficar bem até de roupa infantil.

* Acessarei menos a internet e deixarei de assistir realitys show. Com isso, meus neuronios pararão de morrer, meu pensamento se tornará profundo e eu lerei mais. Finalmente serei uma Intelectual. Acostumar-me-ei ao uso frequente da mesóclise e me recusarei a qualquer modismo.

Agora, se me dão licença, tenho que ir. James Joyce me espera.