Eu também não sei o que fazer diante da maldade dos outros, Eliane. Lembro do quanto foi crítico o início do meu casamento, com minha sogra me dando um monte de indiretas e a família do Luiz me tratando com frieza. Lembro das maldades da minha madrasta, que merece todas as coisas que se fala de madrastas. Numa coisa que - na minha cabeça - deveria ser divertida, como perfil de redes sociais, as pessoas já enchem o saco, arranjam maneiras de atormentar a vida dos outros. Pra você ter idéia, até em serviço voluntário vi maldades absurdas. O conselho que a gente geralmente ouve é: responda na mesma moeda. Dê indiretas na sogra que te dá indiretas, trate com desprezo aqueles que te desprezam, seja tão maldoso quanto os que te tratam com maldade. Em algum lugar eu dava razão pra quem me dizia isso, porque não sou tão evoluída (ou panaca) pra levar pancada dos outros e ficar tudo bem. Por outro lado, eu sentia que me violentava de alguma forma ao tentar fazer isso. Essa é a natureza deles, e não a minha. A melhor resposta que encontrei é essa história que li na adolescência:
Graças a um monge, uma cobra se converteu ao budismo. Decidiu viver sem violência e parou de morder as pessoas. Só que a notícia se espalhou rapidamente, e a população passou a reconhecer a cobra que não atacava ninguém. Então ela passou a ser perseguida, as pessoas corriam atrás dela com paus e pedras, adultos a machucavam, crianças faziam brincadeiras violentas. Tempos depois ela reencontrou o monge que a havia convertido. Ela estava toda machucada e o monge perguntou o porquê. Ela lhe explicou sua situação, que não mordia mais ninguém e por isso as pessoas se aproveitavam. Ele então lhe disse:- Eu disse que você não poderia atacar mais ninguém. Mas eu não disse que você não podia ameaçar.