Deu até dó do meu irmão, que passou um ano inteiro estudando muito, passou no vestibular com um score que lhe permitia entrar nos cursos mais disputados, e de repente se ver preso a um curso fraco e com pouca carga horária. O curso de jornalismo era tão ruim que poucos anos depois o MEC ameaçou encerrá-lo. A única coisa que prestava eram as aulas do Cristovão Tezza. As matérias tinham nomes atraentes, e procuravam dar ao aluno noção de diversos assuntos: história, economia, filosofia, sociologia, etc. O problema é que nenhum dos professores dessas matérias eram do departamento de comunicação social. Pra quem não sabe, quando os cursos precisam enviar professores para outros cursos, isso é sempre feito de má vontade. Eles enviam sempre os novatos, aquele professor substituto que ganha mal e acabou de se formar. Os alunos não demoravam pra perceber essas coisas, e num instante todos ficavam desestimulados. Meu irmão passava muito tempo pelos corredores, jogando truco. Quando estava em casa, assistia TV. Ele sabia o nome de todas as moças do programa Fantasia.
Uma dessas matérias desinteressantes era dada nas sextas-feiras, às 7:30. Acordar tão cedo, depois de uma semana inteira, pra uma aula chata... ninguém conseguia chegar no horário. Meu irmão era um dos que chegavam cedo, e quando chegava às 8h, encontrava uma mensagem do professor no quadro:
Cheguei às 7:30 e esperei até às 7:50. Leiam...
E uma indicação de um texto para a próxima semana. Na sexta seguinte, isso se repetia. Às vezes, meu irmão apenas um minuto depois do que estava marcado no quadro. Quando já estava há mais de um mês sem assistir essa aula, ele estava no corredor conversando com os amigos, numa quinta à tarde. Num determinado momento o professor dessa matéria passou por eles, apressado, foi na direção da sala de aula e depois foi embora. Os alunos ficaram curiosos e foram conferir o que havia acontecido. Foram até a sala e encontraram escrito no quadro negro:
Cheguei às 7:30 e esperei até às 7:45. Leiam...