segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Admiração

Nem todo mundo de quem gostamos se torna nosso amigo. Não sei se essa é uma verdade universal ou se é um limite que impus a mim mesma, por ser quase uma ostra. Duas amigas já me disseram que levaram meses pra conseguir que eu falasse com elas. Claro que não é desses casos que estou falando, falo de pessoas que não precisam fazer esforço nenhum comigo, que nem ao menos precisam saber que eu existo. São pessoas que eu olho e gosto de quem são, identifico bons sentimentos e as admiro. Algumas vezes acho que é recíproco. Se fosse para falar, talvez não tivesse o que dizer além de banalidades. Uma pessoa que atraia o meu olhar era a Fabiula, agora Fabiula Nascimento da TV. Ela era do povo de teatro, extrovertida, o marido (agora ex) vocalista de uma das melhores bandas da cidade. Nós fazíamos aula juntas na academia, e não lembro porquê um dia batemos palmas quando ela entrou na sala. Ela fez toda uma cena de agradecimento, com a naturalidade de quem nasceu pra ser aplaudida. Eu sou fechada, e com muito custo aprendi a dizer Obrigada quando ouço um elogio. Ao mesmo tempo - conversamos algumas vezes - ela era uma pessoa acessível, simples. Olhar para a Fabiula era tentar entender um universo diferente, uma pessoa feita de outro barro. Tenho tendência a admirar tanto alguns bailarinos que não consigo falar direito com eles; o que nos une é justamente o campo onde sou mais amadora e insegura, o que ainda é difícil pra mim. Era o caso com a Cíntia e a Nina, minhas professoras de ballet mais queridas e talentosas. Como não me sentir segura na frente de primeiras-bailarinas que me viam pular como um elefante aula pós aula? O que eu podia fazer era ser uma aluna atenta e dedicada - era a minha forma de mostrar que dava importância ao que elas me ofereciam. O blog e a vida virtual me tornam muito mais verborragica do que sou; quem me conhece pessoalmente sabe que sou uma excelente ouvinte. Acho que tenho uma antipatia natural pela palavra falada; palavras, em si, são um meio insuficiente que usamos para nos expressar, porque desconhecemos outros. Ou conhecíamos e desaprendemos. Se fôssemos crianças, iríamos para um parquinho, encher nosso baldinhos de areia. Quando ela - Fabiula, Cíntia, Nina ou tantas outras pessoas- precisasse de uma pá, eu ofereceria minha pá de estimação e gesto seria entendido sem necessidade de agradecer.