Passei boa parte da vida achando que detestava esportes e qualquer tipo de atividade física. Na verdade, o que eu não gostava era de fazer Educação Física. Eu era a típica CDF que ia mal na Educação Física, aquela é que escolhida para a equipe depois que todas as opções boas já se esgotaram e começam a escolher os menos piores. Só muito mais tarde fui entender que meu problema com a Educação Física era que praticamente só nos ofereciam para jogar vôlei, handebol e basquete. E esses três esportes são esportes de equipe. Seja atrás de uma bola, numa reunião ou numa pesquisa, uma das coisas que eu mais odeio na vida é trabalhar em equipe. Me deixem fazendo faxina, me joguem num baile funk, me coloquem nas tarefas mais chatas e burocráticas, só não me obriguem a trabalhar em equipe. Outra coisa que detesto é competição, ter que enfrentar alguém cara a cara pra um sair vitorioso e outro derrotado. As aulas de Educação Física me fizerem crescer achando que todo esporte era assim.
Aí chegou a adolescência, essa época da vida em que nos obrigamos a fazer coisas pra estar em grupo. No meu prédio, o fim de semana era dedicado ao vôlei. Então eu me esforcei pra gostar de jogar vôlei. Descia, corria atrás da bola, sacava, aquela droga toda. Sabe a adrenalina de estar em quadra, de virar o jogo, de mostrar pro outro que somos melhores? Nunca tive. Olhando para trás, acho que só jogávamos tanto vôlei porque os estudantes do CEFET - era quase como ser universitário! - por quem éramos apaixonadinhas gostavam. Mesmo esse período jogando no prédio não melhorou muito meu desempenho no vôlei da Educação Física. Não ajudava, também, o fato de eu ter aula com uma carrasca - a professora Eleonora. Pra vocês terem uma idéia, teve o maior rolo porque ela reprovou uma aluna por meio ponto, uma aluna que havia passado em todas as outras matérias. Imaginem a situação, reprovar de ano porque não foi bem em Educação Física. Não sei como essa história terminou, acho que foi parar na Secretaria de Educação. A prova de vôlei era um jogo onde todos nós começávamos com nota dez. Quando a bola caía, ela descontava um ponto de quem estava perto ou que deveria ter pego a bola, às vezes mais de uma pessoa. E assim ia, até o jogo ou o tempo acabar. Lembro que no último dia de aula de vôlei no segundo grau, quando peguei a bola pra guardar, disse: Essa foi a última vez que eu joguei vôlei na minha vida. E foi mesmo.
De lá pra cá, até mudaram a maneira de contar os pontos, o número de sets, sei lá. Nem na TV eu gosto.