terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Empatia

Os cachorros têm uma série de comportamentos dominantes e pra mostrar que a gente é que manda, é preciso impedí-los. Eu faço tudo certo antes de sair com a Dúnia: não coloco a corrente enquanto ela está agitada, faço-a esperar enquanto abro o portão, nunca a deixo passar pelo portão antes de mim, não vou atrás dela para tirar a corrente. Só que no passeio em si, eu deveria impedir que ela andasse na minha frente, porque quem vai na frente é o líder. Mas além dela ter resistido a todas as minhas tentativas de colocá-la atrás, a verdade é que eu gosto de ficar olhando o caminhar suave e rebolativo da Dúnia enquanto andamos. Quem é dono de cachorro (especialmente dos grandes) sabe do que estou falando.

Fora isso, ela não tem o comportamento de um cachorro dominante. Ela conhece as regras que formamos ao longo de anos de passeio e quase sempre as respeita. Ela conhece o nosso trajeto e as possibilidades de parar. É um passeio tranquilo, com a corrente bem solta. Mas ela realmente gosta de ficar muito à frente, de modo a me deixar fora do seu campo de visão e impor o seu ritmo à caminhada. Imagino que a Dúnia gosta de fingir que está sozinha; como se ela fantasiasse que saiu porque quer, que é a dona de seus próprios caminhos. São os minutos mais desejados do dia, são o seu momento. Tenho empatia demais pra impedir.