quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Convites

Essa é uma daquelas equações que eu não sei resolver. Algumas pessoas, quando fazem um convite, intimam. Pode ser o evento mais chato, como uma formatura de direito, ou uma festa badalada pra uma pessoa totalmente avessa a badalações, ela fará questão da presença. Na verdade, não de uma presença em especial, mas de presença, de número, de que cada um que recebeu o convite vá. A pessoa tem uma lista mental com os nomes dos seus convidados, e não atender o convite causa transferência imediatamente para outra lista, a negra. Aí para evitar o incômodo, o choramingo, as indiretas e todas as infantilidades possíveis, a gente faz um esforço gigantesco e vai, mesmo odiando estar lá.

Eu procuro fazer o contrário. Convido as pessoas sem pressionar, e pra algumas até deixo claro que sei que aquilo não é muito o feitio delas e que entenderei perfeitamente caso elas não queiram ir. Eu morro de preguiça de ir a eventos, então não acho justo querer obrigar os outros a irem nos meus. E quando não vão, quando aparecem com desculpas, digo que está tudo bem, nunca transformo isso num problema. Ou seja, eu sou legal. Então, o que me acontece? Convido as pessoas para me verem nos espetáculos e não aparece uma alma. Nada, ninguém. Alguns sempre inventam que estão mortalmente ocupados; a maioria nem se dá ao trabalho. Se eu fico achando que tenho pouca importância para elas? Claro que acho. Parece que as amizades só funcionam na base da pressão.