Não fazer também é fazer, esperar também é decidir. Talvez 2011 seja o dia que eu mais tenha colocado isso em prática. Sou do tipo que prefere andar meia hora a esperar vinte minutos um ônibus que chega no mesmo lugar em dez. Porque no primeiro caso eu me sinto fazendo algo. Pra chegar nos lugares é um bom exercício, mas não estou falando apenas de ônibus. Minha ansiedade de sentir que estou fazendo algo já me prejudicou várias vezes. Tem um ditado grego que eu adoro, que diz: "O destino conduz a quem consente. A que não consente, ele arrasta". Então aprendi a me controlar e saber que espernear não faz as coisas serem do jeito que eu quero. Hoje eu não esperneio mais, só faço bico. Amadurecer é assim: é ruim mas é bom.
O ano calmo que eu tive esconde as decisões importantes. Deixei de lado minha carreira acadêmica, aquela mesma que eu já não gostava mas pra onde sempre corria quando sentia medo. Decidi ficar em casa e sentir medo. Assumir certas coisas me permitiu racionalizar minha rotina, que pra ser perfeita só falta que eu seja remunerada por ela. Abri outro blog, estou feliz escrevendo no Livros e Afins e gosto das coisas que produzi por aqui. Escrever se torna cada dia mais importante pra mim. Quem sabe minha ligação com as letras um dia me renda mais do que satisfação pessoal. No flamenco tive alguns dissabores, mas as conquistas foram tantas e tão boas que chega a ser injusto lembrar disso. Fui imensamente feliz à dois, conheci e aprofundei amizades que me renderam momentos ótimos. 2011 foi, sem dúvidas, um ano bom.
De 2012 espero e quero que ele não seja igual a 2011.