terça-feira, 29 de novembro de 2011

Paulocoelhando

Sem falsa modéstia, nos comentaristas do Milton Ribeiro tem quem escreva muito melhor do que eu. Gente que sabe transmitir emoções que eu nunca chego perto, que tem uma cultura tão mais vasta do que a minha que nunca os alcançarei, que consegue escrever ficção, colocar personagens, inventar situações, enquanto este humilde blog fica numa egotrip perpétua. No entanto, também tenho consciência de que sou mais lida do que eles. Por essa diferença entre qualidade literária e número de leitores, me sinto uma verdadeira Paulo Coelho nesse assunto. Eles são melhores mas eu influencio mais. Não sei se encho o peito de orgulho para falar isso ou me envergonho por representar a injustiça e a pobreza intelectual do mundo.

Mas é claro que o Paulo Coelho não merece que eu me compare com ele. Estou falando de gente que se faz ler por umas sete pessoas, enquanto eu pra umas oito. Já a quantidade dos que lêem e adoram Paulo Coelho... Como artista que já foi artista sem ninguém saber, como artista que mais ama a arte do que é correspondida, como pessoa que talvez nem mereça se dizer artista, sei que ter o seu trabalho admirado vale muito mais do que qualquer idéia a respeito de qualidade. Não existe confiança ou crítica positiva que resista quando vemos as nossas coisas desconhecidas, encalhadas num canto, pegando pó. Dói demais quando alguém pior do que a gente recebe a atenção que não temos. Burra ou não, quem produz uma obra precisa de audiência. Entre ser Paulo Coelho e ser uma escritora excelente e obscura, eu ficaria com a primeira opção.