Na época que eu fazia estágio numa clínica psiquiátrica, começava a ver pacientes psiquiátricos por toda parte. Alguns pacientes não ficavam internados ou tinham alta, e eu os via por aí, nas ruas, nos restaurantes, nas filas. Na clínica, eles costumavam nos alertar sobre pacientes que tendências pedófilas ou sexualmente violentas. Lembro de um desses pacientes caminhando calmamente pelo centro e me deu uma certa vontade de avisar, um medo. Esse anonimato, na realidade, é algo positivo para eles. Não vivemos mais a época de estigmatizar na pele ou nas roupas um erro cometido no passado. Mas não eram apenas esses pacientes que eu via, eu enxergava nas pessoas comuns trejeitos e histórias que me lembravam muito alguns pacientes, e me perguntava se elas eram psiquiátricas também.
Continuo vendo comportamentos psiquiátricos all the time and everywhere. Pra mim, o que os caracteriza é a desproporção. Alguém briga comigo e fico enfurecida durante alguns dias. Xingo, penso em vingança, quem sabe até faça alguma coisa. Aí a vida coloca outras coisas no caminho e acabo esquecendo. Ou alguém sorri pra mim e parece estar interessado. Concluo que se sentiu atraído, que quer me conhecer e quem sabe num futuro dê em alguma coisa. Esses são os comportamentos proporcionais. Os que me chamam atenção e me fazem ver psychiatric people são os que demonstram um apego exagerado às próprias fantasias, que levam a reações igualmente exageradas às frustrações: ser colocado numa lista negra, por meses ou anos a fio, depois de ter contrariado alguém; fantasiar que o outro vai largar emprego, cônjuge e filhos pra se casar com você e ir viver em Acapulco depois de um sorriso. E por aí vai.
Pense bem, você conhece psychiatric people.