Uma desvantagem a meu respeito que as pessoas não demoram a perceber é: não me envolvo em grupos. Quem lê o blog e me vê repetir tantas vezes que sou antissocial já adivinha isso, mas na vida real não é tão simples. Porque às vezes eu teria tudo para me envolver. Concordo com as idéias, tenho o perfil, conheço as pessoas, me beneficiaria. Ou até faço uma tentativa, vindo de um sentimento momentaneo de "todo mundo está achando legal, vai que eu também acho legal". Mas eu não acho. Pelo menos não a ponto de investir a quantidade de energia que deveria, ou seja, não se tiver que repetir muito.
O que me falta? Não sei, porque só conheço o meu lado. Nele, faltam coisas nos outros. Sob o meu ponto de vista, minha casa é um lugar delicioso. Tem cama quentinha, computador com acesso à internet, TV à cabo e livros. E as duas companhias que mais aprecio no mundo. Então pra mim é incompreensível deixar de usufruir desse paraíso particular pra sentar em cadeiras desconfortáveis, ouvir estranhos em discussões que chegam a lugar nenhum e/ou conversar bobagens pra fazer social. Eu reconheço a importância, mas a ambição de escrever o meu nome na História ou fazer parte de algo duradouro me motivam menos do que fazer pipoca. Eu sei que, enquanto todos estarão (ou parecerão) super envolvidos, eu estarei sonhando com a minha casa; então, o espírito prático e empreendedor que me anima já pula todas essas etapas e nem me inscrevo.
O que eu não entendo é quem gosta, gente que é arroz de festa. Entram em grupos, organizam reuniões, investem seu tempo e dinheiro. Eu acho que esse tipo de atividade deveria receber remuneração de domigo, porque me seria tão custoso quanto. Claro que não são pessoas com o meu perfil que alimentam os movimentos sociais deste país. Se todos fosse iguais a mim, não existiriam sindicatos, grupos de estudos, reuniões, partidos, nada do gênero. Ao mesmo tempo - tenho quase certeza - se todos fossem iguais a mim, talvez nem existe a necessidade de fazer essas coisas.