Um dia eu estava na livraria de um shopping, sentada num pufe e lendo alguma coisa. Um vendedor ao meu lado encontrou um amigo e começaram a conversar. Como acontece nesses casos, a conversa foi ficando cada vez mais interessante e no fim e estava apenas de cabeça baixa, fingindo que lia. Ele contou o seguinte:
Eu estava batendo fotos para agências de publicidade, com um amigo meu. A gente tinha um equipamento fotográfico profissional, montava um estúdio, um trabalho muito bom. Aos poucos, de pegar um trabalho aqui e outro ali, estavam surgindo cada vez mais oportunidades e estávamos fazendo um nome. Dava pra tirar uma grana boa, estávamos muito bem.Um dia fomos fazer umas fotos em Santa Catarina, pra uma campanha. Fizemos as fotos e ficamos hospedados na casa de um amigo meu. Esse amigo, na mesma época, estava hospedando um turista alemão. O cara era legal, meio doido, conversamos... Nós fomos dormir e na manhã seguinte ele embarcava cedo pra Alemanha. Quando eu acordei e fui arrumar minhas coisas, cadê o material de fotografia? O alemão tinha levado tudo. A gente ficou desesperado. Ainda tentamos ir até o aeroporto, mas o cara já tinha embarcado. Meu amigo ficou sem saber o que fazer, porque nem ele conhecia o alemão direito. A gente perdeu tudo, pagamos a recisão do contrato com a agência, dividimos as coisas, ficamos no zero. Foi assim que o sonho de trabalhar com publicidade acabou. Agora estamos aí, trabalhando...
Eu sempre fico imaginando esse alemão fdp chegando em casa. Ele apagou sem dó os arquivos da máquina e certamente não sabia explorar metade dos recursos que ele roubou. O que esse cara fez, tirou fotos mais bonitas da família? Claro que nada de tão importante.