quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Biblioteca Pote de Mel

Pode reparar: quando alguma coisa nos incomoda pessoalmente, temos um pensamento praguento - achando que é algo sensato e realista. Foi assim que eu reagi quando soube que o Alessandro ia fazer um biblioteca numa padaria, livre para quem quisesse ler:

- O Alessandro está louco. Num instante vão roubar todos os livros dele.

Eu já tinha visto reportagens sobre iniciativas semelhantes. Lembro de uma biblioteca fundada por um catador de papel, que se alfabetizou sozinho e achava um desperdício ver os livros que ele encontrava no lixo apenas como pilhas de papel. Mas aí - veja como o preconceito é um bicho tinhoso e resistente - "é coisa de gente ignorante para gente ignorante. O Alessandro vai doar os livros que eram do pai dele". Achei que um dia o Alessandro daria alguma queixa, alguma amostra de que foi precipitado. Pelo site, acompanhei nascimento da idéia, as fotos, as doações de um e outro. Um dia ele fez um apanhado geral e concluiu que o número de doações ultrapassava o número de sumiços. Só então me convenci de que a biblipote tinha dado certo.

Mesmo de longe, foi uma experiência marcante pra mim. Daqueles fatos aparentemente banais que te fazem rever certos conceitos, que mudam alguma coisa dentro da gente. O Alessandro deu a cara a tapa e me mostrou que é possível oferecer algo a estranhos sem ser roubado ou explorado. Ou seja, as pessoas, na sua maioria, não estão aí para prejudicar os outros; que é mais provável que o estranho do seu lado se comporte com ética e não com a Lei de Gerson. Ou será que isso é impressionante só pra mim?

9 pitacos:

  1. É impressionante para mim tb!
    Ainda tô em dúvida...rs

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  2. Eu acho que com certeza existe mais gente boa do que ruim, eu acho que em geral o problema tá no foco que a gente dá as coisas ruins. As pessoas nunca lembram quantos dias elas estão saudáveis, mas com certeza lembram a quantos dias estão doentes. Eu acho que é meio que por aí.

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  3. Maravilha.

    Quando vi escrito "Pote de Mel" no meu leitor de feeds, imediatamente lembrei que anos atrás peguei um livro na biblioteca da padoca e nunca mais devolvi!

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  4. afe, mas que ideia sensacional.
    achei lindo, uma geladeira de livros - deu até ideia aqui, de onde colocar uns livros meus que estão vivendo sem um lar apropriado...

    adorei. e é bem por aí, a gente só pensa que vai dar merda. aí nem dá e a gente fica com esperança.

    VIVA OS LIVROS DE MEL! viva o Alessandro! viva você! viva nói!

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  5. Não conhecia a idéia, genial! Finalmente alguém queconfia nos seres humanos.
    abs
    Jussara

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  6. Isso se chama desapego.
    Faço isso com roupas.

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  7. Ia escrever uma coisa boa sobre esse post, sobre as pessoas. Você sabe, eu sou uma Pollyana. Mas dessa vez não dá. Ainda estou sobre o impacto da notícia sobre o "Rodeio das Gordas". Vergonha de ser gente. Bj pra você.

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  8. Borboleta, estou totalmente de acordo. Se tivesse lido a notícia, não teria tido espírito de escrever. E quase apaguei assim que li. =/

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  9. Gabriel,

    não precisa devolver o mesmo livro, mas ficaria feliz se você o repusesse com outros dois. No entanto, tenho certeza de que você ficaria feliz em devolver o livro. Fazer a coisa certa quando não há cobranças ou quando não hã punições por não fazê-la e prêmios por fazê-la e incrivelmente gratificante.

    Abraços do Alessandro.

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