segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Misteriosas e ocultas forças hostis

Você é um novato. Não sabe o que aconteceu antes de você, como as pessoas te vêem e o que as pessoas esperam de você; os colegas ainda são todos iguais, muitos nomes para decorar. Um dia você faz algo sem pensar, mas que não deveria fazer: usa o banheiro mais próximo, é simpático com alguém que te trata bem, faz uma piada inocente. O clima pesa. Mas nem sempre dá pra sentir que o clima pesou na hora. O que se percebe é uma movimentação, um diz-que-me-disse que ninguém esclarece e vai ficando cada vez maior. Um sentimento kafkiano de ser acusado de um crime sem ter feito nada de errado. Depois você fica sabendo que aquele banheiro é exclusivo (e ninguém tinha avisado), que cumprimentar aquela pessoa corresponde a ser inimiga de outras (numa guerra que você ignorava) e que a piada mexeu com complexos profundos (não pode contar piada de anão pra alguém de 1,50?). Pouco importa - na época em que você puder desmentir, a coisa já não é mais aquilo. Ela ficou tão grande como se fosse apenas o início da uma trajetória maldosa; virou uma antipatia instaurada e uma campanha silenciosa pra te expulsar.

O que eu aprendi depois de ter vivido muito isso: a culpa não é sua. Há uma (ou mais) pessoa venenosa responsável por tudo. E ela iria pedir a sua cabeça de qualquer forma. Por quê? Porque você existe.

9 pitacos:

  1. Sei como é, quando nego quer implicar com a gente, nem precisamos dar motivo.
    E é engraçado que algumas pessoas despertam mais raiva nas outras de maneira misteriosa. Acho que eu sou umas dessas. Hauahauahaua

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  2. Tem muito disso no ambiente de trabalho. Um saco.
    [RC]

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  3. Como semear a discórdia pelo simples fato de existir em 10 lições. E como eu SEI que isso é perfeitamente possível e comum... obrigado, mundo.
    Adourei a referência ao angustiante Kafka.

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  4. É. Melhor ser cuidadoso, não tocar os pás no chão, não sentir desejos de ir ao banheiro, não contar pisadas e não existir. Simples...

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  5. Não sei bem se entendi o enredo desse post, porém, essa hostilidade silenciosa, clima de conspiração é absolutamente comum em ambiente profissional (profissional hein!).
    Vivo numa balança que à vezes pende para X e de repente vai para Y, nunca se equilibra. Fico pensando se estou no lado "negro" da força, ou no lado "certo" (ele existe ?) Sinceramente não sei, mas muitas tempestades passaram, muitas cabeças rolaram e estou quase chegando a uma conclusão: eu simplesmente não me misturei, não fiz complô e também nunca fui no banheiro "errado".

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  6. Acho que ainda pior que essa hostilidade que vc tão bem traduz é que vc é cínica e irônica e as pessoas acham que está falando sério. As redes sociais propiciam estes desagrados a torto e a direito. Sinto na pele.

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  7. Para essa experiência capital me vem sempre um dos belos poemas de Walt Whitman, que diz que nós aprendemos muito mais coisas com as pessoas que não nos ajudam, que não nos dão espaço, que querem nos derrubar, os detratores e os maus intencionados.

    (e após essa lição de sabedoria que desabnegadamente coloco nesse comentário, vejo que na Verificação de Palavras tenho que digitar "latio", lati ô.

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  8. o mundo nem sempre é bão, sebastião.
    Sempre acontece comigo. Dom para extremos. muito ódio ou muito amor. uma merda.

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