Eu falei das minhas dúvidas aqui e contei aqui que coloquei piercing no nariz. Como a Flávia disse, com o tempo o piercing se torna mais uma maneira como os outros nos vêem, porque a gente esquece que está usando. Mas o piercing, especialmente de nariz, tem características que requerem um pouco mais de cuidado. Não é nem de longe como fazer um furo na orelha. O corpo não acostuma com um metal no nariz.
1. Colocação
Quando me disseram que dava pra sentir a dor da colocação, não fiquei com medo. Afinal, sempre fui doadora. Fui pro estúdio sozinha, conversei com o cara, ele limpou e marcou uma marca de espinha pra colocar o piercing bem em cima (mas não ficou) e eu fechei os olhos quando ele pegou o troço pra perfurar. Nossa, aquilo doeu TANTO! Só depois eu fui ler que o nariz e a língua são os lugares mais dolorosos pra colocar piercing. É uma pele grossa, então sentir a perfuração ali não é pouca coisa. Durante alguns instantes senti como se tivesse um palito de dente na minha pele. Aí ele fez uma manobra, enfiou o dedo no meu nariz (pensou que trabalhar com piercing era fácil?) e tudo tinha acabado.
2. Dias depois...
Pra quem está vendo, o nariz não fica inchado mais que um dia ou dois. Mas pra quem é dono do nariz, ele dói durante semanas. Não dá pra encostar no piercing, não dá pra tirar meleca, não dá pra enxugar o rosto, não dá pra nada. É como se o nariz ocupasse metade do rosto. Pior ainda quando a dor diminui um pouco. Aí a gente esbarra no piercing de bobeira e fica gemendo. Acordei no meio da madrugada com dor porque tentei coçar o nariz.
Limpar o piercing nesse período é um problema. Uma amiga que pôs no umbigo recebeu a recomendação de girar o piercing, coisa que não me disseram. Nos primeiros dias aquilo dói demais e mal dava pra encostar, quanto mais girar. Isso sem falar que o cara fez uma espiral por dentro do nariz, o que não me dava muito espaço para manobras. No início o buraco fica grande e isso dá medo. Eu sentia gosto de Protex na boca quando limpava o piercing. Apelidei o buraco de Minha Terceira Narina.
3. A troca
Uma amiga disse que não trocava o piercing porque tinha dificuldade de achar o buraco. Achei aquilo engraçado quando ouvi e nem um pouco engraçado quando troquei de piercing. Meus planos eram não trocar nunca, mas um belo dia acordei e a pedrinha estava preta. Levei mais de 40 minutos na operação. Primeiro, pra tirar. Eu estava tão bem colocado, que não sabia pra que lado manobrar. Na hora de colocar o novo, drama total. Eu não conseguia achar o buraco de dentro. Minha hipótese é que o buraco ficou meio de lado porque eu não rodava o piercing. Depois de escangalhar todo meu nariz, descobri que só consigo colocar o piercing reto e tenho que entortá-lo por dentro.
Aí, como fui eu que coloquei e entortei com as minhas próprias mãos (tentei com um alicate mas não tive coragem), eis que o piercing caiu de novo com o nariz ainda escangalhado. Parecia cena de filme de terror trash: aquele buraco todo largo, saindo água e sangue e eu enfiando um metal nele de todas as maneiras possíveis. Era aquilo ou desistir do piercing. Eu, que tenho horror a sangue, nunca pensei que seria capaz de fazer um negócio desses. Tudo pela vontade de continuar a ter piercing. Dizem que refazer o furo depois que fecha é muito mais doloroso do que na primeira vez - e a primeira já foi traumatizante o suficiente!
PS: Colocar o piercing durante o banho é mais fácil. Vai por mim.


