sábado, 28 de novembro de 2009

Sem tribo

Costumo brincar dizendo que os amigos do Luiz são da TFP. Isso porque eles seguem o perfil básico da classe média curitibana, a qual eu pertenço apenas em teoria. Uma vez fomos encontrar dois colegas de trabalho do Luiz, que vieram com suas respectivas esposas. Era um jantar um buffet de pizza e batata suiça, então fui da maneira que me pareceu apropriada: camiseta branca, jeans, suspensórios e chuteiras. Chegando lá, as esposas - das mesma idade que eu - estavam no estilo tipicamente curitibano: cores sóbrias, terninho, lenço de seda, acessórios dourados. A diferença ia além do vestuário - esses casais achavam que filhos de pais separados se tornam alunos desajustados e futuros marginais. É ou não é uma opinião TFP?

Eu não falo sobre filhos, sobre mensalidades, sobre rotina de empresa e não mais sobre pós-graduação. O que não faz diferença no meu dia a dia, porque convivo apenas com filhas. No ballet, há poucas semanas que as meninas descobriram que não tenho 25, porque pra elas uma pessoa velha é aquela que "já passou dos seus 30". Elas sabem que eu não leio Crepúsculo, que não farei vestibular para Dança e que sou casada. Nem o Fabuloso Destino de Amélie Poulin elas conhecem. Nós brincamos juntas, dividimos lanches, falamos da coreografia. Quando elas começam conversas de meninas, nos afastamos naturalmente. Jamais adotei uma postura de mais velha e experiente, porque não me sinto assim.

Como me sinto? Eu me sinto a própria Benjamin Button - jovem e velha, caminhando na direção contrária, vivendo coisas numa época diferente dos demais.

8 pitacos:

  1. Ah,então somos dois achando que "eu não sou daqui".Como Paulistano me sinto um peixe fora d'água em SC.
    Principalmente nesse negócio de ser gentil com todo mundo,eu não consigo ser gentil com todo mundo...

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  2. Me assustei quando você falou que as adolescentes de hoje não conhecem Amélie Poulain. E eu que ainda cito os Gremlins? Totalmente por fora.

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  3. Será que é por isso que me sinto desajustada? O_O

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  4. Um dia, conversaremos sobre Curitiba... Eu vi tudo isso (e mais) acontecendo aí.

    Fiquei apavorado.

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  5. Exato. O dificil é encontrar o equilibrio entre ter assumir a idade diferente e bancar a "tia". Otima reflexão.
    Um abraço

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  6. Às vezes eu acho que vivo em outro mundo. Acho melhor que as senhoritas de roupas de cores sóbrias e acessórios dourados e seus pares não saibam que vidas como as nossas e outras infinitas possibilidades são possíveis. Respostas prontas são mais fáceis.

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  7. Ainda existem filhos que não sejam de pais separados?

    Otaner

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  8. Gostei da comparação com Benjamin Button, não raro me sinto assim.

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