Entrei na faculdade de psicologia com dezesseis anos. Durante os cinco anos de curso, li sobre as mais diversas linhas porque não conseguia me decidir. Detestava psicanálise e só comecei a ver valor nela depois que um filosofo me apresentou Marcuse. Gostava da teoria Reichiana e Analítica (de Jung), mas não gostava da prática; gostava da Sistêmica, mas logo descobri que é difícil lidar com grupos, pior ainda institucionalizados. Só no fim do curso consegui optar pelo Psicodrama Moreniano, sem conseguir vivenciá-lo.
Tantas viagens teóricas me deram um vasto conhecimento em um monte de coisas, mas não me ajudaram em nada a saber o que fazer. Some-se isso à graves dificuldades financeiras e no fim do curso eu era uma aluna cheia de futuro mas com um currículo básico. Como ninguém no mercado de trabalho vai perguntar pro seus professores o quanto somos talentosos ou não, amarguei a fila dos desempregados um longo tempo. A vida inteira na verdade, mas isso é outro assunto.
O psicólogo de quem eu falei no post anterior me conheceu no meio da faculdade. Culto, inteligente, bem empregado. Discutiamos longamente sobre psicanálise, sempre saíamos juntos quando eu ia a São Paulo e eu não escondia minha admiração por ele. Quando me formei, ele foi um dos que entrou na campanha de me ajudar a arranjar um emprego. Lembro que nossas conversas, antes futeis e divertidas, passaram a versar sobre como eu deveria me portar numa entrevista de emprego, táticas agressivas de entrega do currículo, exemplos de grandes empreendedores. Eu até anotava o que ele me dizia.
Um dia estava especialmente desanimada. Perguntei como ele tinha conseguido seu emprego, numa grande empresa da área de saúde. Ele ficou sem graça, tentou se esquivar, e no fim me disse:
- Você sabe que meu pai era médico especialista em sexualidade. Ele soube que abriu essa vaga e me indicou. Mas eu estudei muito pra entrar lá, ele só me indicou porque eu estava muito preparado!
(Não gosto de colocar emoticons em textos, mas nesse não tem nada que expresse melhor:)
¬¬
É o velho esquema da cunha.Fiquei quase 9 meses desempregado,tudo bem que não estava muito a fim de procurar,mas quando decide procurar de verdade o único jeito de conseguir foi porque sou goleiro de futebol de salão e a empresa estava para começar um campeonato importante e precisava de um goleiro.Faço meu trabalho muito bem,mas só consigo emprego porque jogo futebol.90% dos empregos que tive foi pela mesma causa.Chega a desanimar,agora estou jogando obrigado,porque não tenho mais tesão nenhum em jogar bola.
ResponderExcluirParece que para alguns, as coisas acontecem de maneira mais fácil.
ResponderExcluirEnquanto que para outros, sangue suor e lágrimas não bastam.
Hoje em dia parece que estas tais de networks são indispensáveis. Aliás parece que sempre precisamos de uma net para alguma coisa.
Conselho (gratuito, por isso, pouco confiável): Aproveite, enquanto pode, aquela outra rede, aquela de nossos pais indigenas, a de dormir. Pois o mal inevitável do trabalho sempre vem.
ué, normal. meu primeiro emprego tb foi pq o pai da amiga me botou no município; fiquei 6 meses lá naquela escola. depois, na outra escola, me conheciam pq minha irmã já estudava lá. só em uma escola que fui via curriculo...
ResponderExcluiragora tô numa faculdade porque a amiga lembrou ao amigo que tinha eu na fila...
essa história do QI é maldosa, às vezes. porque é quase que fato que vc só entra nos lugares - ou entra com facilidade - pq alguém indicou. mas aí se desmerece o trabalho da pessoa. parece que ele é incapaz e SÓ está lá pq colocaram.
engraçado que concursado - funcionário público, quero ser, mas tenho preconceito - na maioria das vezes entra por mérito mesmo, pq passa no concurso. e a maioria é uma merda de empregado.
enfim, problemas de brasil que só vão se resolver quando isso explodir.
2012, vemnimim calendário maia!
O que vou dizer? Cem por cento dos empregos que tive até hoje foi por indicação de alguém. Desde minha GRANDE EXPERIÊNCIA como vendedora numa loja de biquínis (em Juquehy, claro. E aguentei QUATRO DIAS, hahaha) à assessoria na secretaria (sem citar nomes para evitar fadiga né?).
ResponderExcluirE onde estou atualmente não deixa de ser "indicação" também.
Mas PERMANECER NO EMPREGO, ahhh, aí sim... Embora conheça MUITA gente incompetente que consegue enganar geral por muito tempo... en-fim...
Ainda bem que posso dizer: desse mal, não sofri.
ResponderExcluir