Um dos grandes atrativos do blog da Deni (uma das minhas recentes aquisições aí do lado) é justamente o prosaico diferente do nosso prosaico. Ou seja, o barato que é perceber que outras culturas fazem de maneira diferente o que a gente nem sabe que pode ser diferente.
Por isso, vou colocar aqui algumas coisinhas que eu considero prosaicas em Curitiba. Pra isso, uso da minha autoridade (cof, cof!) de paulistana que passava as férias em Salvador e praticamente só tem amigos de fora. Sei que nem estranho tanta coisa assim e vou ficar longe de esgotar o assunto, mas vale pela curiosidade:
Sempre jogar lixo no lixo
Esse é um dos grandes orgulhos curitibanos e não tem como não reconhecer. O curitibano típico sempre está a procura de lixeiras e, se não as encontra, enche os bolsos. Simplesmente dói nos olhos ver alguém jogar lixo no chão. Isso sem falar nas lixeiras seletivas; como disse uma amiga do Rio, jogar lixo aqui dá o maior trabalho - a gente fica com o troço na mão se perguntando se ele é vidro, papel, metal ou orgânico.
Chamar favelado de "vileiro"
Isso é recente e tem uma boa explicação: há pouco tempo atrás, a prefeitura achou que ficava feio chamar certas regiões de favela. Por isso, todas elas foram rebatizadas com nomes mais bonitos, sempre começando com Vila - Vila Bom Menino, Vila das Torres... daí pra maloqueiro ser chamado de vileiro foi um pulo.
Passar calor em ônibus
Os ônibus daqui já foram projetados de uma maneira muito especial: a janela de quem está sentado não abre e pra quem está de pé só abre duas frestinhas, sendo que a maioria delas é emperrada. Claro que isso torna os ônibus ambientes de "calefação natural" (pra ser gentil) e propagação de doenças (pra ser científica). Pra piorar a situação, o pessoal adora deixar a janela fechada - mesmo no verão. Não sei se eles não sentem calor ou o quê. Quando chove, esqueça: as pessoas preferem cozinhar lá dentro do que abrir um pouquinho a janela. E quando você abre, corre o risco de fecharem ostensivamente logo depois.
Detestar carnaval
Em outros lugares do país, a gente pode apanhar se disser que odeia carnaval. Aqui, detestar carnaval é o normal. Não é à toa que temos o pior carnaval do país (na opinião de quem gosta, porque pra quem não gosta é perfeito!). O nosso desfile de escolas de samba, que acontece na Cândido de Abreu, é um evento patético onde você tem vontade de rir (e tem que se conter pra não apanhar) ou sai deprimido. É o único lugar em que as passistas depois de desfilarem voltam correndo pra trocar de fantasia e entrar de novo, porque as escolas vivem sendo punidas por não terem o número mínimo de pessoas em cada ala.
Ter pavor de aranha marrom
Se alguém disser que viveu em Curitiba e não tem medo de aranha marrom, pode ter certeza de que o sujeito é um farsante. Elas são uma verdadeira praga. Todo mundo já encontrou uma, já quase colocou o pé ou a cara em uma, já matou uma e conhece alguma história tenebrosa de quem foi picado e teve necroses ou reações alérgicas horríveis*. Pior de tudo: picada de aranha marrom não dói, o que obriga a pessoa que acabou de encontrar com uma fazer um auto-exame pra ver se nada está apodrecendo.
* é só digitar "aranha marrom" do Google Imagens pra achar fotos horríveis. Quis poupar os leitores, mas fica a dica.
Eu digitei " aranha marrom" no Google.
ResponderExcluir=(
olha, q nem o comentante acima...
ResponderExcluir:(
num pode fazer isso com o público.
(oi, eu sou nova aqui)
Fernanda, és tu?
ResponderExcluirSou eu sim! Juro que eu pensei que você já tinha notado...
ResponderExcluirBenvinda, Quérol! =D
faltou você dizer que não importa se você a ama ou odeia, seu comentário descritivo sobre curitiba sempre vai começar com a frase "curitiba é uma cidade limpa e organizada". e falar dos ônibus que tocam músicas do mundo do rock em versões richard clayderman!
ResponderExcluire cara, deu uma saudade da minha ida, do nosso passeio com empanturramento e tal... porque dos 5 citados, "vileira" e "aranha marrom" super fazem parte do vocabulário cotidiano de nossa amiga ana paula. sobre esta última, te falo que aranhas marrons devem ser algo tipo a 8ª praga do egito que só pegou aí.
Gente, buscar a aranha mal no google me deixou mal.
ResponderExcluirE outra coisa: jogar lixo no lixo não acho que deve ser trunfo dos curitibanos por serem curitibanos. Qualquer pessoa educada e consciente (e com bom senso) procura uma lixeira quando está na rua ou guarda o lixo no bolso. Eu mesmo faço isso, mesmo sendo de Salvador ;)
Você está certíssimo, Diego! E benvindo! :)
ResponderExcluirAqui em Caraguatatuba/SP só falta o cara jogar o lixo dele na sua cabeça, e se vc ousar chamar a atenção do porco, ainda escuta algo como : vc é ignorante, grosso, e pasmem "mal educado". Acho que o povo aqui faz competição de dentro dos carros para ver quem atira sua lata de cerveja mais longe, ou quem consegue acertar em alguém primeiro. Isso dói de ver.
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