O que eu, uma mestre, socióloga, casada, 31 anos recém feitos, estou fazendo aqui no meio dessa gente?
No caso, o
aqui era a coxia da Ópera de Arame, e
o gente, eram os dançarinos do
Dança Curitiba 2008. Quando saí de casa, minha preocupação era uns detalhes, como um pézinho torto e uma cabeça mais enfática. Prestes a subir no palco, eu só queria saber de sair dali viva. E se, ao pisar no palco, eu ainda soubesse o meu nome, já estava bom.
Foram duas horas de espera. Quando eu cheguei, a torcida do
hip hop fazia tanto barulho que tive medo de ser vaiada por aqueles bárbaros - sim, o medo nos torna politicamente incorretos. Já como
Grupo Tanz, eu e as meninas nos degladiamos por um pedaço de espelho pra fazer maquiagem ("Nossa, Fer, como seu olho é pequeno!"), subimos e descemos os dois andares daquelas escadas vazadas que normalmente me deixam fóbica (lembrei da
Flávia!), falamos com um monte de gente pra saber nosso horário, nosso lugar, nossa entrada. Eu achei tudo meio desorganizado, mas a Mônica me disse que é normal (!). Encharquei a minha sapatilha (ai minha sapatilha de couro da Capezio!) e fiquei com os pés doendo de andar naquele chão vazado.
O que dizer da hora H? Eu tremia. Pra relaxar eu quis olhar pra Larissa, que sempre caía na risada quando a gente se olhava no ensaio, mas ela ficou séria. Na hora da fatídica piruetta, descobri que não tem onde fazer foco no palco. Quando caí (intencionalmente) no chão, achei que estava de costas pro público. Percebi cada milímetro de erro, cada acelerada, e o pensamento de que
a Mônica vai me matar não me abandonou ainda - espere só até ela descobrir as coisas que eu fiz quando nos assistir pelo DVD ou quando eu contar que perdi a minha faixa de cabelo!
De acordo com a avaliação tendenciosa, amorosa e tudo-mais-o-que-interessa do Luiz, da Janine, da Teca e da minha mãe, eu fui bem. Não parecia nervosa, não parecia que tinha errado um monte de coisas, e tudo foi lindo. Quando eu me apresentar no fim do ano com o grupo da Federal, cheio de gente pra colar e me esconder, vou achar bolinho! Ah, e preciso gastar o vale-massagem que a Teca me deu de presente de aniversário...