sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Sapo cantor

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Nossa, fiquei muito emocionada quando encontrei esse video! Durante anos eu o procurei, falei nele, me lembrei dele!



Quando eu era criança, achava a história engraçadinha, como todo mundo. Depois, a coisa começou a me fascinar. Eu comecei a me espelhar nela, comecei a me identificar... com o sapo. Todos os meus terapeutas - oficiais ou não - ouviram falar desse desenho. Ele ilustrava o quanto privadamente eu era uma coisa e a minha timidez me impedia de mostrar isso. Mais tarde, quando consegui controlar a minha timidez, o sapo passou a ilustrar o quanto as pessoas que me conhecem bem sabem o quanto sou boa no que faço, mas eu tenho uma baita dificuldade de assumir isso, de me valorizar, de projetar o meu trabalho no mundo. Tem gente que me conhece há anos e não sabe que eu sou escultora...

Sim, eu tenho uma relação agridoce com esse desenho. Espero que um dia ele deixe de ser uma metáfora, e volte a ser apenas uma lembrança.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

53484516º vez

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Ontem, na academia:

Fernanda: E aí, vai voltar pra faculdade?
Amigo: Não, fiz a matrícula mas não vou freqüentar. Esse ano ainda vou ficar tranqüilo. E você...?
F: Eu tô mandando uns curriculos, mas até agora...
A: Não, não foi isso que eu perguntei! Eu quero saber quando você (faz um gesto mostrando uma barriga de grávida)?
F: ¬¬


Hoje, na médica:

Médica: Quantos anos você tem?
Fernanda: 30.
M: Olha, eu tive meu primeiro filho aos 33, mas eu recomendo ter antes porque depois a gente fica meio sem paciência pra cuidar.
F: ¬¬


E pensar que eu fui achincalhada num congresso feminista porque disse que as mulheres sofrem muita pressão para engravidar - coisa que elas disseram que não existe mais. Ah, tá.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Não me mostra que eu não quero ver!

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Explicação do título:
Tem uma história antiga do Luís Fernando Veríssimo (se eu não me engano, é do livro O popular) onde os vários provérbios se encontram. Tem o ferreiro com tudo feito de madeira, os dois pássaros voando depois que o telhado de vidro quebra... Nessa confusão, tem um cego que passa a história inteira falando: Não me mostra que eu não quero ver, não me mostra que eu não quero ver!


Eu costumo ser confidente da maioria dos meus amigos. A amizade tem essa coisa engraçada, de começar sorridente e assim que a pessoa se apega e passa a confiar em você, a prova desse afeto vem em forma de te contar as coisas mais dolorosas. Talvez por isso eu não abra facilmente vaga para novos amigos, porque os poucos que eu tenho já me dão bastante trabalho.

Ultimamente tenho preferido cair um pouco no conceito das pessoas pra ganhar mais paz de espírito. Tenho percebido que as pessoas gostam de falar sempre dos mesmos problemas. Elas gostam de pegar o confidente e contar os detalhes mais dolorosos: do quanto o tal problema é realmente um problema; o quanto ela está sofrendo; situações horríveis que ela passa por causa de pessoas que se aproveitam desse problema. Aí a gente ouve, se envolve, arranca os cabelos, se preocupa, dá conselhos. A pessoa sai da conversa toda feliz por ser compreendida, faz as mesmas merdas assim que atravessa a rua e depois quer falar com você do quanto ela sofre. Pois é, amizades que se sustentam em confidências são circulares.

Agora, quando estou com amigos e as pessoas começam a dar aquelas deixas - as deixas, aquelas frases incompletas pra atiçar a curiosidade e te obrigar a perguntar o que está acontecendo - finjo que não percebi. E penso: Não me mostra que eu não quero ver, não me mostra que eu não quero ver!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Eu no BBB

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Alguma mente sádica - numa dessas conspirações governamentais que pegam os inocentes - saberia o quão cara é minha privacidade e me colocaria no Big Brother sem eu nunca ter me inscrito. Quando eu acordasse, estaria lá: trancafiada com um monte de corpos sarados que falam UHU! pra tudo. Eu, que só dividi o quarto durante poucos anos com meu irmão, me veria dormindo onde não quero, com gente que eu não gosto. Isso sem falar na claustrofobia de um quarto sem janelas. "Maldito!", eu gritaria numa daquelas tomadas aéreas dos filmes, em que a câmera se afasta do revoltado protagonista de joelhos.

Detestaria cada participante antes de qualquer oportunidade de me apegar, porque não tenho simpatia natural por gente idiota. A tentativa de sair pra meditar ou ficar quieta num instante me daria fama de louca. Os assinantes do pay-per-view detestariam minhas idas à piscina, porque detesto pegar sol. Nas festas, outro fiasco: não rebolo até o chão e seria a única sóbria. Naquelas provas de resistência, iria embora assim que a anunciassem porque não vejo utilidade em ficar tanto tempo de pé, ou pulando ou qualquer besteira do tipo. Sem meu lar, meus hábitos e minhas caminhadas, em pouco tempo eu perderia toda a polidez e viraria uma pessoa irritada e anti-social. Calculo que isso levaria não mais do que dois dias. Já me imagino perambulando o dia inteiro de pijama, cabelo desgrenhado e atacando a geladeira com cara de poucos amigos.

Aqui fora, o Paparazzo me esperaria pra um ensaio sensual recheado de photoshop. E o youtube com videos duvidosos. Este blog seria invadido de internautas à procura da valiosa informação: estarei ou não jogando? Meu marido seria uma prova de que eu não sou gay, embora algumas amizades me condenassem. Minha mãe decepcionaria o Bial por ser incapaz de dar um depoimento lacrimoso; meus in-law seriam valiosos para as revistas de fofoca. E, claro, jamais ficaria entre os finalistas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Humpf!

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Pra quem não acompanhou a história, foi o seguinte: a Flávia há algum tempo atrás postou uma camiseta que ela tinha feito sobre o tema do design, que é a área dela. Recentemente, uma turma de um curso técnico quis fazer uma camiseta para sua própria turma, e ao invés de brilhantemente fazerem uma linda camiseta, decidiram pesquisar camisetas prontas na internet e quem sabe pegar a já linda camiseta da brilhante Flávia. A Flávia não gostou e discutiu esse assunto no blog dela. Assim como um dia ela ficou sabendo do plágio, eles ficaram sabendo da queixa. O autor do post fez um mea-culpa. Uma colega de turma dele escreveu:

Marta

Ahh.. Ta se achando muito vc eu acho viu!!
A ideia é otima, se esta publicada, você corre o risco de isto acontecer!

Desculpa, mas é o que eu acho!


Bacana isso, né? Fiquei emocionada pela maneira delicada como a moça reconheceu o erro, pediu desculpas pelo gesto impensado, rendeu tributos ao trabalho excelente da Flávia e ainda por cima decidiu nunca mais pegar o trabalho dos outros sem autorização! Tudo isso em tão poucas palavras, quase um haicai!


(Depois a gente diz que a humanidade é uma merda e neguinho diz que a gente é amarga)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A menina que roubava livros

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Quando fui comprar o presente de Natal do Luiz, me deram na livraria uns livrinhos, com trechos de alguns lançamentos. Um deles era o primeiro capítulo do A menina que roubava livros. Olha, achei interessante. Uma história narrada pela morte. Mas interessante é o único adjetivo que descreveria esse primeiro capítulo.

Quando fui renovar Os Miseráveis, a moça da biblioteca estava colocando A menina no estande dos Novos e Mais Procurados no mesmo instante que eu cheguei. Como não é todo dia que aparece um best-seller novinho - eu fui a primeira a emprestar! - na nossa frente, peguei. Sim, eu tenho um certo preconceito com best-seller. Ainda mais quando eles são totalmente best-seller. Enfim, eu superei o meu preconceito a ponto de pegar o livro, mas não a ponto de correr para a leitura. A menina ficou ali no meu quarto, intocado durante mais de 10 dias. Como tinha que escolher entre devolver ou renovar nesta quinta, decidi ler de uma vez.

Minha impressão sobre o livro: o maior número de lágrimas por página - tanto na média como no acumulado - em toda a minha vida. E olha que eu já li de tudo nessa vida. Agora pouco eu chorei tanto, mas tanto, que nem sei se consigo voltar a ler o livro hoje. Pros curiosos, acabei de terminar Quarta Parte.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Com comida, com afeto

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"Coma bastante, repita o máximo que puder", era o conselho da minha mãe quando íamos almoçar na minha vó. "Peraí, mas você não me disse pra nunca repetir mais do que duas vezes, no máximo três?". Casa da vó é diferente. Assim como um dos pontos difíceis quando eu ia pra casa do meu pai, em Salvador, era a questão da comida. Eu não conseguia comer coisas com coentro e óleo de dendê todo dia, e minhas idas até a pastelaria eram encaradas como ofensa pessoal. Nunca me esqueço da tentativa conciliatória de fazer um peixe para mim - apenas depois de muita reflexão, minhas papilas gustativas descobriram que aquilo era um bacalhau. "Nada pessoal, gente, eu só não gosto da comida de vocês". Mas era pessoal sim, aquilo parecia um tapa na cara, o símbolo de todos aqueles hábitos baianos que eu nunca aderi.

Até que eu passei por isso. Foi assim: um amigo que morava em Alagoas veio morar em Curitiba. Eu quis ser uma boa anfitriã e levei o estrangeiro para as maiores delícias culinárias que só quem mora aqui sabe. Até hoje, quando passo nesses lugares, lembro com desgosto da maneira como fomos - eu e a comida - rejeitados. Eu deveria ter desconfiado quando no Jaganatha, ele não quis comer nada apimentado porque ele passa mal e no Taisho só deu uma beliscadinha. Eu não achei lá muito viril, mas acontece... Fomos na Feira Gastronômica, e o meu quase-amigo não quis experimentar a Empanada Chilena, comeu metade do Taco e jogou no lixo (!!) e decidiu se deliciar com um nada típico wafle com sorvete. Outra vez levei o sujeitinho no SuperDog - o melhor cachorro-quente da cidade - e ele achou muito forte, comeu empurrando e depois queria fazer um lanchinho no shopping.

Conclusão: não se encher de comida quando é convidado é má educação sim. E homem comer pouco é o cúmulo da frescura.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Calorão

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Desculpem a ausência, mas com um calor desses é insuportável até ficar na frente do micro.



Na frente da geladeira, quem sabe...

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Um filho

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Ter um filho daria a minha mãe o neto que ela tanto deseja; quebraria o jejum que ela detesta, o de ser a única entre os 6 irmãos que não tem um único neto. Ao invés de ligar esporadicamente, minha mãe estaria sempre aqui. Olharíamos juntas as vitrines de roupas para crianças e ela me mandaria repetir tudo o que ela fez ao me aducar. A família do Luiz deixaria de me ver como uma esposa descartável, e aproximar-se de mim se tornaria algo urgente - afinal, agora ele não poderia simplesmente me largar. Eu seria mãe do filho dele, e se qualquer coisa acontecesse eu (provavelmente) teria a guarda e levaria a criança embora. Ou seja, ao invés de torcer contra, eles fariam de tudo para manter meu casamento.

Meu status frente às outras pessoas mudaria, assim como mudou no dia em que eu casei. Se casar faz com que as pessoas falem livremente de sexo com a gente, existem outros assuntos a serem tratados livremente da qual eu hoje não faço parte. Mulheres com filhos me veriam como uma delas, e poderíamos discutir todas as coisas sérias que a prole nos traz: mamadeiras, conteúdo impróprio da TV, mensalidades de colégios, iniciação sexual, etc. Eu não seria mais uma mocinha casada - eu entraria irrevogavelmente para o mundo dos adultos, ou seja, o mundo dos que não podem mudar de idéia sem acarretar em graves conseqüencias.


... talvez por tudo isso, quando eu digo que não quero ter filhos as pessoas reajam tão mal. Elas me dizem - no mesmo tom de quem roga uma praga! - que o dia em que Deus quiser eu engravidarei, independente do quanto eu me proteja; e que aprenderei a gostar dessa situação na marra. Negar a maternidade é a mesmo que negar a raça humana. :o

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

...

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Pra me contratar como professora universitária, meu diploma de mestre em sociologia da saúde não me ajuda em nada.

Agora, quando uma médica qualquer (que eu nem conheço) precisa de alguém pra fazer em um mês uma monografia de conclusão de uma pós-graduação em medicina da saúde, eu sou procurada.

Alguém Lá em cima adora rir da minha cara, tenho certeza.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A fórmula secreta

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A amizade sempre foi um mistério para mim. O meu amigo mais antigo, o Luciano, é uma pessoa que nunca me liga e nem eu ligo pra ele. Como somos grandes andarilhos, às vezes nos encontramos pelo centro de Curitiba e conversamos a tarde inteira. E nesse esquema estamos há uns 15 anos. Muito mais próxima a mim parecia ser a Keila, que fazia trabalhos de faculdade comigo, me ensinou a gostar de dança de salão e vinha de uma família católica rigorosa. A nossa amizade não resistiu às minhas mudanças - estado civil, profissão, residência, amigos - que, em teoria, me tornaram mais conservadora e, por isso, mais a ver com ela. Tenho também amizades com pessoas que dormem às 19 horas por levarem uma vida regrada e outras que vão pra balada e fazem sexo com estranhos no banheiro .

Há muito tempo descobri que não são os hábitos que nos fazem amigos das pessoas. Desconfiava que eram os sentimentos em comum, como se a nossa superfície fosse mentirosa em relação ao que somos na essência. Com o tempo também comecei desconfiar que também não era isso.

Acho que o que me liga a pessoas tão diferentes e as vezes me afasta de pessoas tão iguais é algo simples e difícil, chamado respeito. Respeito pelo silêncio ou pela necessidade de falar muito; respeito pelas discordâncias e pelas confidências; respeito pelos sumiços, pelas mentiras esfarrapadas, pelas mudanças de humor. Eu consigo ser amiga de pessoas que fazem e pensam coisas totalmente diferentes de mim, mas não posso me manter perto de quem desrespeita as minhas escolhas - mesmo quando a escolha envolve deixá-las de lado.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Abrir ou não abrir?

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Tenho pensado há algum tempo sobre esse filtro de leitores. A solução ideal, acho, seria se para ler o blog a pessoa tivesse de se cadastrar e não eu ter que autorizar. Sei que perdi alguns leitores por aí porque não tinha como perguntar pra que e-mail mandar a autorização.

Ao mesmo tempo, aqueles comentários idiotas eram bem irritantes. Vejo que isso tolhe um pouco a pessoa que bloga, porque o que a gente escreve fica solto na net e apto a ser comentádo por qualquer um. Não sei se mantenho as coisas como estão, se faço uma experiência...

O que vocês acham?